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Montadoras vão investir R$ 15 bilhões no Brasil até 2022

A alemã Mercedes-Benz anunciou nesta segundafeira (9) que fará um investimento de R$ 2,4 bilhões em suas fábricas de caminhões e ônibus no Brasil. Não foi um movimento isolando. Desde março, oito montadoras, incluindo a Mercedes-Benz, comunicaram que vão colocar no pais quase R$ 15 bilhões até 2022.

Os investimentos representam uma reversão nos ânimos de um setor que sofreu um duro baque na crise. Entre 2013 e 2016, houve queda 42% na produção de automóveis, comerciais leves, caminhões e mais de 35 mil postos de trabalho foram fechados.

O setor automotivo brasileiro saiu de um patamar de 3,7 milhões de unidades produzidas em 2013 para 2,2 milhões em 2016. As perspectivas mais positivas são de uma recuperação tênue em 2017, com a produção indo a 2,7 milhões de unidades, segundo a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores).

A previsão da Mercedes é fazer os investimentos entre 2018 a 2022 para modernizar as fábricas de São Bernardo do Campo (SP) e Juiz de Fora (MG) e desenvolver novos produtos e tecnologias.

A última vez em que a empresa anunciou investimento semelhante foi em 2010, quando destinou cerca de R$ 2,5 bilhões para um período de cinco anos.

Philipp Schiemer, presidente da Mercedes no Brasil e na América Latina, apesar de ver algumas fragilidades na recuperação, projeta um cenário positivo, com vendas puxadas pelo agronegócio e pela mineração no segmento de caminhões.

"O governo adotou uma política econômica mais correta. Temos hoje uma inflação baixa, para padrões brasileiros, e juros menores. Esta tentativa de controlar a situação fiscal tem tido credibilidade no mercado. Se isso continuar, temos boas chances", diz Schiemer.

Pablo Di Si, novo presidente da Volkswagen no Brasil, reforça a projeção. "A economia vai seguir crescendo e se observa um descolamento da política e da econômica no país", disse ao prever, nesta segunda, que as vendas da Volkswagen no Brasil vão crescer 40% nos próximos quatro anos.

Rogelio Golfarb, vice-presidente da Anfavea, compartilha do otimismo. "O período de contração acabou e entramos em tempos de recuperação", diz. Mas recomenda calma: "ainda é necessário cautela quanto à magnitude deste crescimento".

PESADELO

A cautela se explica pelo tamanho da queda, que foi ainda mais dramática no mercado interno, onde as vendas saíram de um apogeu de 3,8 milhões de unidades em 2012 para apenas 2 milhões em 2016, redução de 46% em quatro anos. A previsão para 2017 é de 2,2 milhões de unidades vendidas no país.
O socorro veio das vendas internacionais que, depois de atingir um pico de 724 mil unidades exportadas em 2005, desceu 334 mil unidades em 2014, mas reagiu quando o câmbio ficou favorável. O esforço de exportador tem se mostrado frutífero.O setor espera fechar 2017 com 745 mil unidades vendidas para o mercado externo. Se isto acontecer, será o melhor ano na história das exportações desta indústria.

No caso da Volks, que é líder em exportações no país, o aumento da demanda argentina também deverá garantir a alta das vendas internacionais, que foi de 62% no acumulado deste ano até setembro, segundo o novo presidente Di Si. "Precisamos melhorar a competitividade para exportar também a novos mercados emergentes, como Turquia, Egito, Chile", diz Di Si.

MODERNIZAÇÃO

Os investimentos previstos no Brasil não focam uma atividade específica. A Scania anunciou R$ 2,6 bilhões em desenvolvimento de produtos e modernização da fábrica, enquanto a Toyota direcionou R$ 1 bilhão para um novo modelo na linha de passeio. GM, Volvo, Volks, Renault e MAN também soltaram planos de investimentos.

A tônica geral dos desembolsos está na modernização das linhas de produção, o que costuma enxugar empregos ou, no mínimo, não levar a novas contratações.

Na Mercedes, a tecnologia que a rodada atual de investimento vai proporcionar não deve desencadear demissões, segundo Schiemer. "Estamos ajustados no volume de funcionários. As eficiências que vamos trazer agora vão ser compensadas pela retomada do mercado. Não prevemos demissões", diz o presidente da empresa no Brasil.

De acordo com Schiemer, serão feitas contratações, se houver necessidade. O nível de empregos no setor saiu de 156,9 mil em 2013 para 121,2 mil em 2016. Os resultados recentes da Anfavea apontam uma retomada, com 126,3 mil vagas em setembro.

A Volkswagen Caminhões e Ônibus anunciou nesta segunda que decidiu cancelar as férias coletivas de funcionários da sua fábrica em Resende, no Rio de Janeiro, pela primeira vez em seis anos.

De acordo com o presidente da companhia para a América Latina, Roberto Cortes, a decisão foi motivada pelos sinais de retomada na demanda por veículos pesados pelo lançamento da família de modelos leves urbanos.

"A Bolsa se valorizou 77% nos últimos seis meses, o risco Brasil caiu, o real está estável e as taxas de juros à metade do que eram", afirmou.

Fonte: Folha de São Paulo

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