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Recado dado! Contra truculência e falta de diálogo, metalúrgicos da Brose reforçam em Curitiba a luta por acordo salarial justo e mais respeito

Protestos realizados em frente à Assembleia Legislativa do Paraná, Palácio Iguaçu e Superintendência Regional do Trabalho e Emprego marcam um mês de greve dos trabalhadores da multinacional de autopeças

Os cerca de 300 trabalhadores da multinacional de autopeças Brose, em São José dos Pinhais, completaram, nesta quinta-feira (26/02), 30 dias consecutivos de greve na luta por reajuste salarial e melhores condições de trabalho, sem nenhum sinal de negociação por parte da direção da empresa.

Os trabalhadores do 1º turno da Brose e diretores do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC) protestaram no começo da tarde, em frente à Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP) e Palácio Iguaçu, sede do Governo do Paraná e em seguida em frente à SRTE - Superintendência Regional do Trabalho e Emprego.

Palácio Iguaçu  Assembleia Legislativa do Paraná Superintendência Regional do Trabalho e Emprego

Os metalúrgicos denunciam que o movimento grevista está tendo a interferência da Polícia Militar do Paraná e pedem providências por parte dos poderes Executivo e Legislativo.

Na manhã desta quinta (26), durante manifestação em frente à fábrica, os trabalhadores relataram novas práticas antissindicais envolvendo a Polícia Militar do Estado do Paraná, que atrapalhou a realização de uma assembleia, em mais uma tentativa de enfraquecer a mobilização.

Após mais uma ação truculenta da PM, os metalúrgicos foram até as sedes dos poderes públicos do Paraná e sinalizaram que a greve é legítima e que a pauta de reivindicações é por melhores condições de trabalho e salários.


Pauta de reivindicação

Atualmente, os trabalhadores da empresa Brose recebem aproximadamente R$ 2.500, enquanto a média das empresas de autopeças da região é de R$ 3.400.  O vale-mercado na Brose é de apenas R$ 500,00, enquanto nas outras empresas a média e de R$ 1.000 a R$ 1.170. Os trabalhadores da Brose também não possuem PLR (Participação de Lucros e Resultados), enquanto outras empresas similares da região pagam de R$ 17.000 até R$ 22.100 de PLR. As reivindicações dos funcionários consistem em negociar correção salarial pelo INPC + 2,5% de aumento real, equiparar vale-mercado às empresas do segmento, discutir jornada de trabalho e implantação de PLR, um benefício já tradicional na categoria.


Histórico da greve

A paralisação foi iniciada no dia 28 de janeiro, após impasse nas negociações do Acordo Coletivo de Trabalho. Desde então, a categoria, organizada pelo Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, mantém assembleias permanentes e mobilizações na porta da fábrica.

Nos primeiros dias do movimento, trabalhadores denunciaram ação considerada truculenta da Polícia Militar durante manifestação em frente à unidade, principalmente na madrugada do dia 4, quando A PM-PR agiu de forma truculenta, realizando duas prisões de sindicalistas, entre eles o companheiro Nelson Silva de Souza, o “Nelsão da Força”, vice-presidente do SMC. Mesmo diante do episódio, a greve foi mantida por decisão da maioria em assembleia.

  

Ao longo das últimas semanas, novas rodadas de negociação não avançaram. A empresa não enviou representantes em rodadas de negociações agendadas no Ministério Público do Trabalho (MPT-PR). A categoria cobra a apresentação de uma proposta que assegure os cerca de 300 empregados da metalúrgica, com salários e benefícios alinhados ao praticado por outras empresas do setor na região.


Denúncias

O movimento é marcado por denúncias de práticas antissindicais, além do acionamento da Polícia Militar para tentar desmobilizar a greve, a empresa estaria recorrendo a assédio e à contratação de temporários durante a paralisação, situação considerada incompatível com o porte da multinacional. A mobilização segue por tempo indeterminado, até que haja avanço concreto nas negociações.


Apelo do presidente

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC), Sérgio Butka, que já tinha alertado sobre a irregularidade da empresa em relação à representação patronal, destaca mais uma vez a unidade dos trabalhadores da Brose. “A mobilização dos metalúrgicos é exemplar e justa, principalmente quando se trata de uma multinacional que está bem abaixo nas condições salariais em comparação com as empresas do setor, abaixo até de empresas com número inferior de empregados”, frisou Butka.

 

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